Faz um tempinho que estou com vontade de escrever um post sobre o que a bicicleta tem a ver com a minha nova vida… finalmente, lá vai!

Depois de voltar de uma viagem de 20 dias pela Bolívia e Peru, no fim de janeiro, me vi desempregada, sem noção alguma do que estudar em uma pós-graduação, sem grana e morrendo de vontade de trabalhar com alguma coisa que me fizesse FE-LIZ. Ótimo. Decisão tomada. E agora? Agora eu estava perdidassa!

Reformulei o meu currículo e me inscrevi naqueles sites de busca de emprego. Furada! Com a promessa de que estudariam o meu CV com todo carinho e me indicariam vagas compatíveis com a minha formação e o que eu gostava de fazer, os caras fizeram exatamente o oposto. Todos os dias chegavam à minha caixa de entrada e-mails com as propostas mais absurdas: analista de produto (?), analista de marketing, analista de relacionamento, analista de seilaoquê! Que p**** é essa?

Desanimei total… fiquei ainda mais desorientada.

Foi quando a luz do acaso resolveu me iluminar: fazendo xixi na casa de uma grande amiga, reparei em cima do cesto uma revista cuja chamada de capa era: “Especial – Cidades ciláveis”. Era a Arquitetura e Urbanismo que a Stephanie (Fom) assina. Pedi emprestada, óbvio. E ela disse:

- Já ia te emprestar mesmo! Pensei em você quando li sobre as bikes.

Yes!

Em casa, depois de ler a reportagem com toda aquela gente interessante e engajada em mobilidade urbana sustentável, fiquei morrendo de vontade de trabalhar com elas… resolvi mandar e-mails aos especialistas entrevistados (a revista publicou o contato deles! Valeu, aU!!!). O que eu tinha a perder?

“Olá,
Procuro oportunidade de trabalho em Comunicação Empresarial, Assessoria de Imprensa, Redatora, Coordenadora de Mídias Sociais.
Sou formada em jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 2010.
Segue meu currículo anexado para análise.
Destaques:
Blogue – www.ebemdamarina.wordpress.com (experiências de uma ciclista iniciante na cidade de São Paulo)
revista Seed! – cofundadora e editora chefe da revista pocket de distribuição gratuita sobre sustentabilidade, responsabilidade social e meio ambiente.
Apaixonada por bicicleta e mobilidade urbana.

Muito obrigada pela atenção.
Abraço,
Marina Sartori, Jornalista.”

Uma semana depois, impressionantemente (hahahaha), me liga um cara – com uma voz super jovem aliás:

- Oi, Marina, tudo bem? Meu nome é Ricardo e você me mandou um e-mail se oferecendo pra trabalhar na TC Urbes. Eu gostaria de marcar uma conversa com você…

Eu fui. E deu certo!

Caaaaaaaaara! Que maluquice! Como diria meu amigo Thomas: que coisa mais “Efeito Borboleta”!!! Se a Stephanie não tivesse deixado a revista no banheiro, se eu não tivesse bebido x copos d’água, se eu não estivesse tão desesperada a ponto de ser cara-de-pau desse jeito…

Hoje eu trabalho há um mês e meio pras empresas do Ricardo (Tchê) Corrêa: a “TC Urbes” e a “Urbana Bicicletas“, mas descobri que a minha história não teve nada a ver com a teoria do caos. O que aconteceu foi que eu fiz minhas apostas de acordo com o ideal que eu tinha escolhido lááá atrás, quando voltei de viagem: trabalhar com alguma coisa que me fizesse FE-LIZ.

E isso não é clichezinho de livro de auto-ajuda não! Isso é essencial pra realização pessoal e pro estômago!

Bicicletada Thor

“Eike, Eike, Eike, vamos andar de bike!!!

Mais uma vez organizada e divulgada por meio das redes sociais, a Bicicletada de março homenageou o ciclista atropelado e morto por Thor Batista, filho do bilionário Eike Batista.

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Foto: divulgação

Tinha bastante gente fantasiada, já que os organizadores convidaram os participantes a se vestirem fazendo referência ao personagem “Thor” das histórias em quadrinhos da Marvel.

Como de costume, a Bicicletada se reuniu na Praça do Ciclista às 20h e seguiu deixando a faixa de ônibus para livre circulação. O participante mais ilustre foi o Freud, cachorrinho comportadíssimo de uma cicloativista que o carrega na cestinha.

Mais um que entra pras estatísticas…

Na noite de 17 de março, Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, morreu ao ser atropelado pela Mercedes SLR McLaren guiada pelo filho do presidente do grupo EBX, Thor Batista, acompanhado da ex-modelo Luma de Oliveira, na rodovia Washington Luís, no Rio de Janeiro. O ciclista foi atingido enquanto atravessava a via. A perícia procura saber se o motorista estava acima do limite de velocidade da rodovia, que é de 110 km/h.

O ponto, na minha opinião, não é somente descobrir um culpado, mas a discussão sobre a segurança do ciclista nas vias públicas. O direito à vida não deve depender apenas da conduta dos motoristas, ciclocondutores e motociclistas, mas também da qualidade e sinalização das vias, da construção de ciclovias e ciclofaixas, além da responsabilidade do poder público em realizar campanhas educativas sobre o trânsito, os meios de transporte motorizados e os “meios suaves” (transportes não motorizados – pedestres e ciclistas).

Mais humor nesse motor!

“Nós que passamos apressados pelas ruas da cidade merecemos ler as letras e as palavras de gentileza” – Marisa Monte (Gentileza)

Ontem foi minha primeira Bicicletada Nacional.

Não imaginei que o movimento seria tão organizado, visto que foi planejado e divulgado apelas na Internet (acho que de vez em quando eu subestimo os poderes de comunicação da rede).

Tampouco previ como seria gostoso o sentimento de pertencimento a um grupo com intenções bonitas e sérias.

Ao contrário do que afirma o colega de profissão e blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, o movimento nada tinha de desrespeito à Constituição ou à democracia. Muito pelo contrário. Pedíamos mais gentileza no trânsito e respeito à vida. Clamávamos para que os nossos direitos garantidos no Código de Trânsito Brasileiro sejam cumpridos.

Mas é óbvio que existe gente intransigente, contraditória e com pensamentos extremistas em qualquer lugar, poxa! Dos mil ciclistas que pedalavam na Avenida Paulista ontem, provavelmente 10 deles estavam lá para dizer que as bicicletas devem dominar as ruas e os carros que se f****! É completamente aceitável que entre as centenas de milhares de pessoas na Internet que defendem o uso da bike como meio de transporte nas grandes cidades existam algumas dezenas que radicalizam a coisa.

Inaceitável é que o colega generalize nos chamando de “fascisbikers e taliberkers”, além de nos mandar estudar democracia e nos submeter à Constituição. Um cara que tem um blogue com tanta visibilidade não deveria se emputecer com comentários agressivos e infelizes de pessoas que NÃO REPRESENTAM todos os ciclistas de Sampa, que já são aproximadamente 400 mil!

Alô, democracia? Aprendi na escola que um meio de uma minoria proteger os seus direitos contra a tirania da maioria é a liberdade de expressão, de se unir e manifestar! Tô errada, Reinaldo?

Ah, deixa o Reinaldo Azevedo pra lá!

Ontem foi lindo de se ver. O clima de respeito foi marcado pelos pedidos de amor, gentileza e compartilhamento das vias públicas. Além do uníssono silêncio quando passávamos na frente dos hospitais ao longo do trajeto. E as meninas que entregavam flores aos motoristas selando um laço de respeito e amizade? Bonitinhas!

Não fiquei até o fim, porque já era tarde e eu tinha sede e fome, mas valeu! Quando eu e um amigo decidimos voltar pra casa (já eram umas 22h30 e estávamos pedalando desde as 18h30), pegamos a Avenida Liberdade explodindo de carros! Mesmo com os semáforos verdes eles não passavam de zero por hora. Enquanto ultrapassávamos todos, com alegria ouvimos falarem de dentro de um deles: “cara, acho que vou comprar uma bike!”. Ganhamos a noite e fechamos com um brinde no boteco pertinho de casa.

Até quando?

Precisamos de mais mortes, números, estatísticas para que seja justificável o investimento em segurança para o transporte não motorizado!

Precisamos que as grandes cidades se tornem inabitáveis para remediar os ene mil problemas que fomos deixando virar uma imensa teia de horror!

Precisamos que os cidadãos conscientes GRITEM, ESPERNEIEM, IMPLOREM por serem ouvidos!

Somos preguiçosos, interesseiros, corruptos e burros! Somos os políticos brasileiros!

Ontem foi a Juliana Dias que entrou pras estatísticas…

CHEGA DE DESCASO!

Vocês deveriam ser agradecidos aos ciclistas que arriscam diariamente suas vidas por um ar mais respirável, pela coerente utilização do espaço público, pela qualidade de vida, pela saúde, por ideais óbvios mas admiráveis!

Não foi dessa vez

Fui prudente ao responder que talvez comparecesse ao evento da Ciclo Trip pra Santos.

Não foi dessa vez que consegui treinar o suficiente pra enfrentar os meus limites.

Além da falta de treino, também foi pouca coragem. Engraçado como em todo post desse blogue medo e coragem dão as caras.

Será que diante do novo todos nós somos necessariamente convidados a provar uma frequente antítese de sentimentos? O novo nunca é maniqueísta. Por mais que se deseje encará-lo assim (positivamente, claro!).

Agora sou insegurança de novo. E descrença das minhas capacidades.

Tomara que seja culpa da “folhinha”.

Rumo a Santos!

Desde que vi o álbum de fotos da primeira Ciclotrip que meus amigos fizeram para Santos, não tiro da cabeça a ideia de fazer o mesmo. O problema era que não tinha rolado um convite e, por medo, não agitei nada até que recebi um convite de evento no Facebook do Marcel Paiva, amigão que começou a pedalar uns meses antes de mim e que já mergulhou no mundo da bicicleta: II Ciclotrip | Santos 2011 – 5 de novembro.

Talvez Compareça?

A ideia é linda: ir pra praia com os amigos, curtir o caminho como nunca, sentir a natureza, fazer exercício…

Mas são 80km de BICICLETA, cazzo! Eu quero muito, mas será que consigo? Um mês é tempo suficiente para treinar? Primeiro de tudo: encontrei uma motivação: a SUPERAÇÃO, a vontade de provar ao meu reflexo no espelho que eu consigo!

Bora treinar, então!

O Plano:

Dia sim, dia não: no mínimo 20km - Ibira. Treino varia conforme bike anjo que vai comigo (rs).

Domingos: 45km – CicloFaixa. A meta é fazer o percurso em até 3h.

Agora é pensamento positivo, muito treino, criar coragem e quem sabe estarei Presente no grande evento! Torçam por mim!

Pros chacoteiros…

Se você não sente ao menos vontade de mudar o mundo, não sabe nada sobre ele, ignora tudo que sabe, ou é completamente indiferente ao sofrimento humano e à degradação ambiental.

Não tenho vergonha nenhuma de querer mudar o mundo. Muito pelo contrário.